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quinta-feira, 2 de julho de 2026

o silêncio me consome e tenho medo dele

 tenho criado discussões sozinha. é delirante estar em silêncio depois de tanto tempo acostumada com o silêncio, ainda não sei nem como colocar em palavras o que tenho sentido por conta disso. é loucura completa. tenho escrito meus pensamentos em um bloco de notas há um mês e ele tem crescido cada vez mais porque eu penso e penso quase o tempo todo desde que substitui o barulho constante pelo som do mundo afora, ainda não sei como agir diante dessa mudança.

ficar em silêncio é o que mais tem me causado sofrimento, precisar encarar a mim mesma e tudo o que se passa pela minha cabeça corrói um pouco a minha alma, mas entendo que é mais do que necessário passar por esse transtorno. é um processo doloroso, olhei diretamente para tantas inseguranças e medos que eu não me lembrava de existir.

estou sendo consumida por ele e tenho medo, medo de enfrentar as coisas que estavam escondidas de mim, abafadas por tantos barulhos e vozes diferentes. não tenho mais conseguido ouvir músicas com fones de ouvido, nem de passar meia hora com a televisão ligada passando alguma bobagem qualquer (faz tanto tempo que deixei de assistir master chef porque parecia tão entediante ver as mesmas coisas acontecendo de novo e de novo e de novo).

talvez por encarar esse vazio, o tédio e o nada que é estar em silêncio foi o que me fez ter tantos pensamentos referentes ao mundo digital e minha presença nele. tenho lido tantos artigos e livros sobre o assunto que, acho, acabou piorando a minha espiral dentro da convivência com meus próprios pensamentos. 

até onde posso ir? até onde posso deixar o silêncio me consumir?

quarta-feira, 1 de julho de 2026

agatha renard

 uma das minhas primeiras leituras intensas foi, por acaso, uma indicação da marisa durante a aula. ela explicava sobre como um quadro exposto em museu havia mudado sua vida inteira e a forma como ela enxergava as coisas, foi como encarar um dos livros que a acompanhavam no dia a dia. uma composição única e interessante, diferente de tantas outras pinturas que estavam ali, o ambiente era arrumado de propósito para que tudo fizesse sentido e intensificasse a vivência. 

o quadro não era uma grande loucura, mas era um escândalo para quem olhasse. coberto por uma cortina vermelha, escondido no fundo de o corredor, ele escondia um segredo e uma privacidade tão íntima que era estranho se esgueirar só para ter um pequeno vislumbre. o corpo humano em seu estado mais cru, de uma forma tão natural.


a origem do mundo de gustave courbet é fantástica. o corpo feminino como um todo, com cores, dobras e pelos. o nome resignado é tão intenso quanto o que vemos, não sei dizer se ele ainda está escondido através de alguma cortina, mas o choque em vê-lo continua tão grande quanto se fosse visto sorrateiramente. é lindo e único.

o que eu quero dizer com tudo isso é que... eu não me lembrava desse quadro, muito menos de como ele estava exposto até eu me colocar em uma situação que desse um enorme estouro na minha mente. eu não entendia o porquê de colocarem o quadro como se fosse um tesouro, um choque tão humano.

isso é, até eu me esgueirar feito rato entre as pessoas para assistir a apresentação da agatha renard.

o lucas decidiu ir para esse pequeno rolê junino de um coletivo queer. fazia tanto tempo que eu falava para ele sobre querer ir em um desses, queria me sentir em casa de novo. dito e feito. eu só não esperava me deparar com uma das coisas mais linda do mundo inteiro diante dos meus olhos, de uma forma tão artística com uma experiência indescritível.

a agatha entrou carregada, com uma longa cauda de seria e cordas. era difícil dizer o que estava por vir, mas era intrigante. impossível de desviar os olhos. a arte drag sempre tem o peso de um lipsync carregado nas emoções, tanto mostrado pelo rosto quanto a forma como seu corpo se move e ela era, sem querer encher a boca para falar, intensa até nos minímos detalhes.

me senti como um enorme pervertido procurando espaços maiores entre as pessoas para olhar com ainda mais atenção quando vi seu corpo inteiro e nu. depois de muito tempo eu entendi o que coubert tentou fazer com seu quadro, eu estava diante de uma réplica moderna.


domingo, 26 de abril de 2026

tudo o que vi em abril...

 1. uma mulher tentando alimentar um gato frajola que era estranhamente gordo para ser um simples gato de rua abandonado.
2. o quintal de uma casal meio abandonada, cheio de gramas até metade do portão que tinha cartas e cartas amontadas na caixa de correio.
3. pequenas esculturas gregas de mesa em gesso branco num caminho de entrada no portão do terreno vazio ao lado da loja de carros (a mesma que tem um enorme fusca rosa gritante para vender)
4. o caminho vazio do bloco c tem um fim nas árvores cheias.
5. um carro levando um leão de cerâmica na parte de trás, acho que era para anunciar um dos circos que estão pela cidade nesse mês.
6. um inseto meio estranho, parecia uma barata pequena com manchas brancas pelo corpo marrom, fiquei meio assustada e sai correndo de onde eu estava.

nos caminhos que eu faço (de pé, ou de carro) tenho olhado para tantas coisas que algumas delas ficam apenas para o canto da minha visão... um pouco escondido, coisas que aparecem apenas nos meus sonhos para me lembrar do dia que passou. 


domingo, 19 de abril de 2026

revolte-se! liberte-se!

 a primeira vez que coloquei meus olhos na dischord foi há um ano atrás, poucas pessoas sabiam o que eu tinha recém passado e o que significava para mim estar ali. foram poucas as vezes que eu senti meu coração batendo de novo pela primeira vez, me senti com 16 anos outra vez entrando para algo que faz meu corpo vibrar em alegria. eu carregava um peso muito intenso, uma dor que ardia e tirava minhas vontades... confesso que nos primeiros momentos eu não percebia o que acendia dentro do meu peito, demorou um tempo para eu entender o que acontecia comigo em silêncio.

é difícil para mim ter algum carinho por bandas logo de cara, tenho exigências pessoais que nem eu entendo na maior parte do tempo. posso dizer com a boca cheia sobre o quanto aquele dia salvou minha alma do afogamento, é engraçado perceber um ano depois que ter ido naquele rolê sem pretensão alguma pensando que não seria tão bom quanto as outras vezes que me levaram para sair na cidade, mudou a minha vida por completo. 

ter conhecido quem eu conheci ali, saber que eu teria um lar... da noite em diante, comecei a formar meus pensamentos sobre o quanto eu queria ficar aqui e, depois de um ano, poder acompanhar de perto uma banda que foi um grande fator pela minha ressuscitação é um grande privilégio para mim em muitos aspectos. eu encaro esses momentos com muito mais carinho e amor do que as pessoas percebem, sinto que eu deveria falar sobre isso muito mais... é o que me salva todos os dias.

hoje posso tirar fotos da dischord e compartilhar elas paras as pessoas que gostam tanto do som quanto eu gosto, é uma das coisas que mais me deixa feliz; quase tudo tem me deixado feliz nos últimos dias e esse fato é um dos que mais influência no meu viver. sou grata. aquela noite, há um ano, eu me revoltei e me libertei de coisas que nem eu sabia que me prendiam.



quinta-feira, 9 de abril de 2026

lucinda querida!

 desde que os vizinhos do lado se mudaram, a população de gatos nessa rua aumentou gradativamente e, acho, que tem dois anos e um pouco desde que a gata frajola lucinda tem frequentado a casa dos meus avós. virou um costume estranho ter ela por aqui todos os dias na hora do almoço e janta, constantemente pedindo um pouco da nossa carne.

isso até o momento que meu vô começou a comprar ração para ela, agora no lugar de pedir por carne ela procura a ração. uma gata bem exigente e engraçada, esperta. a lucinda só come whyskas de carne, se for outra marca e sabor, pode ter certeza que ela vai fingir que nem está vendo.

por mais que o dono dela seja o vizinho, parece que nem saudade de casa sente. todos os dias está por aqui e toda noite quer entrar no meu quarto para passear pela casa, ou ficar na janela olhando o quintal por uns bons e longos minutos. comecei a gostar da companhia, agora não consigo ficar um dia inteiro sem sentir saudade da bixinha. 

tenho pensado na possibilidade de pegar para mim, desde que o verdadeiro pai não se importa com os sumiços e nem alimentar direito tem feito! comprei sachê esses dias, acho que em breve vou buscar uma caminha, alguns brinquedos... não sei se ela vai ficar aqui, mas quero aconchegar a lucinda querida.

ontem tirei fotos dela. estava sentada na janela, olhando o nada.





quarta-feira, 8 de abril de 2026

no canto dos olhos?

 consigo ver o reflexo dos relâmpagos acendendo no retrato que eu tenho em cima da cômoda, o azul é reluzente, brilha nos meus olhos sem eu perceber; posso citar tantas coisas que aparecem para mim de soslaio e não consigo registrar. elas ficam na mente, tatuadas pela eternidade e reaparecem quando mais preciso desse gás dentro de mim.

quando estou na faculdade, não posso evitar de olhar pela janela e ficar observando aqueles pequenos pássaros passeando livremente nas gramas verdinhas (o que me faz lembrar um pouco da ufms, acho que em momento algum eu vi as árvores respirando naquele campus estranho), todos os dias eu encontro algum inseto sem querer, eles passam despercebidos e o pequeno vulto marrom aparece nos meus olhos para desviar minha atenção daqueles verbos intensos.

os raios de sol contra a parede, ressaltando meus livros meio escondidos. quando é de manhã cedo e aquelas brilhosas danças acontecem pelo chão e parede (gosto tanto quando o sol e a janela se unem para fazer esse tipo-reflexo encantador). a carta que eu fiz para ele ainda aberta em cima da mesa, o café que ele gosta tendo menos cápsulas que os outros... 

não consigo deixar de reparar. 

os pensamentos estão em um turbilhão

 com os novos pensamentos eu tive de encarar mais do que o meu reflexo no espelho. sinto que posto muito frequentemente sobre as coisas que se passam na minha cabeça e, na maioria das vezes, elas são as mesmas. é como se eu estivesse correndo em um labirinto de sentimentos dando de cara com as enormes paredes toda curva que eu faço. é um pouco estranho, porque me conheço bem o suficiente para entender exatamente como eu mesma funciono e onde estão as coisas que eu gosto. 

até o ponto em que eu tenho pensado nas coisas de novo e por encontrar paredes dentro do meu cérebro que eu percebo que não tenho a cabeça tão oca assim e agora preciso lidar com esses obstáculos que eu ainda não conhecia dentro de mim. talvez pelo fato de que eu finalmente possa respirar um pouco, então eu consigo ouvir o que acontece dentro de mim um pouco, pode ser que tenha chegado a hora de parar de dizer que não tenho nada de pensamento...

por perceber (e efetivamente diminuir) o quanto o uso das redes sociais com rolagem infinita e vídeos automáticos que fizeram um pouco meu corpo se revirar, comecei a compreender de onde veio tantas ansiedades que eu carregava sem nem perceber. se eu realmente quero viver de uma forma mais analógica eu preciso começar a fazer as coisas como elas realmente são, sem me privar completamente do que temos em mão nos dias de hoje. 

eu gostaria de poder ter um celular bobo apenas para responder mensagens e ligações, tenho o costume de me apegar em coisas materiais na intenção de abafar esses mesmos pensamentos que estou lutando agora para recuperar eles. não posso mais esconder o que tem dentro de mim, por mais que esse silêncio ainda seja eu tem partes barulhentas que fazem tanto sentido quando o nada que se passa por mim. por tantos anos eu fui silenciosa, discreta e ás vezes até um pouco muda.

gosto de poder gritar. gosto de poder falar, opinar. gosto de apontar o dedo e dizer que não gosto de algo.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

as águas de março levaram coisas e trouxeram outras...

 agora eu posso encher a boca e dizer que estou há um mês vivendo outra vez. meu coração tem batido e é estranho lembrar que existem órgãos funcionando dentro de mim, estou tão acostumada com a morte ao meu redor e escrever como se eu não existisse há anos. desde que coloquei meus pés nesse lugar e comecei a construir um novo lar eu entendi que posso respirar sem medo, não vou morrer novamente.

falo isso com certeza, estou exatamente onde eu quero. busquei por isso minha vida inteira inconscientemente e algo em mim estava esperando só o momento certo para abrir os olhos com a fome de um lobo há anos hibernado. tenho algo na minha frente pronto para ser agarrado e é nesse momento que eu deveria funcionar no vapor máximo.

meu cabelo tem crescido e parado de cair aos poucos, meu corpo tem se sentido menos exausto e parece que posso fazer tudo que eu quiser, só basta levantar de onde estou. minha única luta agora tem sido o costume com o nada da morte, o costume da rotina em inércia completa como quem não tinha onde e nem quem para ir. 

março veio com chuvas fortes, longas e um pouco sufocantes, as águas inundaram meus sentimentos e terminaram de lavar feridas que eu ainda brigava, assisti do meu quarto a chuva levar embora coisas que eu não lembrava, mas precisei revisitar para me despedir e seguir com o que vinha pela frente, sinto como se tivessem segurado a minha mão para me guiar num extenso túnel. 

a felicidade entrou no meu peito, ficou. me sinto eu, por inteira.  

quinta-feira, 26 de março de 2026

pedaços do passado?

 ​(estou escrevendo no celular, não por falta de opção ou pressão... mas a situação que estou pede urgência) me encarei tempo demais no espelho para perceber que tem cinco anos desde a última vez que coloquei uma roupa assim no corpo. 

eu tinha 17 a primeira vez que me vesti com mangas enormes e saias com babados, procurando imitar uma vampira ainda com os modos da vitorianiedade. talvez eu fosse boba demais e não soubesse o que eu estava fazendo, me enfiei em um buraco sem saída sem questionar primeiro se aquilo era o que eu realmente queria.

na verdade, acho que eu me conhecia bem demais para saber que viver isso era exatamente o que eu mais precisava. cresci nessas idas e vindas, conheci pessoas por todos os cantos... construí algo que não trocaria por nada e nem ninguém, mas precisei quebrar esses limites e cultivar um novo jardim, com novas memórias. 

o passado me intoxicou por tempo demais, permiti que as coisas fossem sufocantes e sem perceber deixei que muito de mim partisse. chegar perto dos 21 anos e saber que nada é como foi me deixa feliz. talvez um pouco feliz até demais.

não ter mais 17 anos e saber exatamente quem sou e o que eu quero é algo. realmente algo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

citando alguns nervosismos e medos

 não sei o que escrever no blog, há um tempo que penso sobre isso. não tem nada acontecendo, nenhum pensamento importante suficiente para que eu quisesse discorrer sobre, é aqui que o problema começa e isso me causa um medo indescritível. não ter sobre o que falar é assustador, então pense sobre não ter o que escrever, ainda mais isso sendo algo que molda a minha vida inteira como uma coisa só, se eu não estiver escrevendo algo, o que eu estou fazendo, então?

é aqui que entra um segundo problema, se não estou fazendo nada, um caos generalizado entra em vigor dentro da minha família. me levando a ter vontades ainda mais intensas de ir embora, agora é que aparece um outro medo, esse sendo ainda maior. o que acontece comigo se eu não passar? experimentei pela primeira vez na minha vida ter uma nota boa em algo importante, mas não foi o suficiente e parece que não está sendo. tudo bem que foram só duas chamas e a terceira está quase chegando, mas nada como ver nomes em cima de nomes e nenhum deles ser o seu. me deixa frustrada e assustada.

acho que nunca falei isso diretamente para ninguém, fico com vergonha. passei de outubro até o dia de hoje (essa postagem) chorando copiosamente antes de dormir por um estresse não-natural causado especificamente pelo vestibular e suas consequências. nada dói mais do que ver a esperança sumindo nas pessoas enquanto você mesmo não consegue ficar em paz consigo mesmo. sei que se em oito chamadas meu nome não estiver lá, vou tentar outra vez, mas e nesse meio tempo? para onde vou? onde fico? o que eu faço?

estou até os dedinhos do pé com uma ansiedade sufocante, quinta-feira descobrirei mais uma vez se fui bem o suficiente para entrar, ou se terei de esperar até que não tenha mais chance alguma... talvez seja por isso que meu cabelo tem caído tanto nos últimos dias, afinal, nada como uma enorme dose de sentimentos ruins para descabelar tudo o que tem dentro de mim! e além de todas essas coisas acima, existem as promessas que eu gostaria de cumprir com uma pessoa.

mesmo eu sabendo que se não der certo, nada vai mudar... eu ainda gostaria de ser capaz de estar presente. tem tanta coisa que eu prometi verbalmente e mentalmente, tem tanta coisa. talvez esse seja meu maior medo. 

domingo, 25 de janeiro de 2026

senhor dos anéis no cinema

 (preciso começar a anotar as coisas fisicamente nos momentos que acontecem, agora não sei como descrever direito o que senti nesses três dias) vi em casa, li os livros e cheguei a comprar os dvds originais para assistir com tudo o que me é de direito, mas ver no cinema é realmente algo. eu sei que ano passado vi a sociedade do anel quando saiu no especial 70 anos, mas perdi muitas das minhas experiências que ganhei com a companhia do meu melhor amigo por diversos fatores, então reconstruir isso e ir do começo ao fim, é mais do que eu posso falar.

chegar cedo no shopping para escolher o que comer que não fosse a pipoca, conversar enquanto olhamos os livros e procurar coisas para tirar fotos, registrar. senti como se estivesse de volta para 2001, quando saiu o primeiro filme e todos os adolescentes e adultos queriam ver aquela maravilha. eu não acreditei quando vi, a tela gigante e o som de fazer o chão tremer.

sai de lá ainda mais apaixonada pelo universo da terra-média, cheguei em casa faminta para ler tudo de novo, rever os filmes e me encontrar nesse meio de novo. era tudo que eu precisava, ver a mágia e o amor sendo formado na minha frente, pouco a pouco, com paciência e sabedoria, transbordando todos os desafios um por um. tudo que eu queria. 

eu viveria essa experiência tantas outras vezes... 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

parece tão difícil...

 não sei exatamente o que estou fazendo de errado. meu medo sempre foi ser um peso, ou motivo de preocupação, então evito dar o mínimo de trabalho possível e, no fim, não é o suficiente.

ontem recebi essa notícia, de que meu silêncio e tranquilidade são motivo de preocupar minha vó e, por isso, eu perderia muitos benefícios se não fosse trabalhar no hotel, ou arrumar um emprego (mesmo que isso implique na minha demição com menos de um mês por causa da faculdade). nunca vou entender essa ansiedade por um trabalho, quando até ontem tudo que me diziam era para focar nos estudos.

eu não acharia ruim de trabalhar, até gostaria (tanto que estou auxiliando no hotel), mas não quando faltam simplesmente 10 dias para os resultados do vestibular. eu gostaria de deixar a mente leve, tentar descansar um pouco. não sei, reconectar e alinhar tudo que está bagunçado aqui dentro, ainda tenho muito o que fazer por mim. 

tem dias que me arrependo de ter saído da ufms, talvez agora eu estivesse fazendo algo incrível. ou talvez, ter saído de lá foi a melhor coisa que eu poderia ter feito em toda a minha vida, talvez eu nunca teria feito as coisas que fiz, nem criado o que criei (nem conhecido, decidido e pensado).

agora entendo porque muita gente que trabalha pouco conversa pelo celular. fico cada vez mais parecida com meu pai e isso me incomoda um pouco, sinceramente. parece que muito da minha energia foi drenada, não me restando quase nada para me apoiar. voltei aos dias que a única coisa capaz de me alegrar eram as palavras, sejam elas minhas ou de outros. no momento estou lendo alice no país das maravilhas, de novo, para ver se encontro meu próprio reino da loucura. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

meus olhos enxergam coisas

 de canto, sempre vejo. um vulto, uma forma. não sei de onde essas coisas aparecem; as vezes, de frente, as corem parecem mais intensas e diferentes, coisas que eu não reparava antes. eu costumava ver tudo meio acizentado, agora é tão caloroso.

consigo ver as borboletas, as cores das flores e os passarinhos voando no céu pela janela da sala numa tarde enquanto assisto alice no país das maravilhas, no fim do dia o céu é laranja quente... e a luz entra no meu quarto deixando tudo alaranjado, é estranho. agora sei quando as horas estão passando porque no canto dos meus olhos as coisas acontecem.

não sei, talvez tenha sido quando troquei os óculos, ou depois de fazer meus vinte anos, que eu estou vendo pela primeira vez tantas coisas. parece que nasci de novo e estou encarando o mundo sem memória alguma do que ele foi algum dia.  

eu gostaria de filmar memórias

 todos os dias penso em comprar uma filmadora vintage (tão estranho pensar que 2016 se tornou vintage) e registrar tudo o que eu conseguisse com ela. na escola era costume usar o celular, minha galeria era repleta de fotos e vídeos com memórias das aulas e amizades, o problema é que eu perdi tudo. não sobrou nada e não tenho memória alguma de quando era criança e adolescente, então preciso deixar ao menos a adultice com algo sólido para a velhice.

o único ponto em comprar uma filmadora é pela aparência dela, minha câmera também grava, com um pouco da qualidade que eu procuro, mas não gosto tanto de usar ela para filmar... porque esse não é o propósito dela, não sei explicar a minha necessidade para comprar outro aparelho únicamente para filmar, mas ela existe e é pertubante. tenho tantos planos para coisas que eu gostaria de deixar guardado.

penso nisso. todos os dias. 

na verdade, eu costumo sonhar com isso. uma filmadora na mão, com aquela telinha aberta e depois poder juntar tudo e colocar em algum lugar, ficar revisitando. acho que sou saudosista demais. mas eu gostaria de filmar memórias, com uma filmadora, se possível (uma vermelha, ou preta, não me decidi ainda quanto isso). 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

sobre ishtar e mais algumas coisas...

 tanto tempo longe, cheguei a me esquecer a sensação de digitar desesperadamente na frente de uma tela branca, vomitando tantos sentimentos um atrás do outro. fiquei afastada por decisão própria, desgosto do teclado no celular, do fato de precisar escrever em posições desastrosas, sem uma noção do que estou fazendo ao certo, não conseguir preparar um texto diretamente, do prazer de usar os dedos como se usavam na maquina de escrever (rezo para usar a minha outra vez, quando eu tiver os papéis adequados), toda a construção é diferente de um ambiente para o outro, ainda mais na situação em que eu me encontrava, longe da minha cama e meus cd's. criei todo um ritual pessoal para fazer essas palavras fazerem sentido, rebobinar isso para tomar outros rumos bagunçou meu cérebro, eu não sabia como me portar. 

enfim, ficar desde outubro completamente afastada foi realmente uma decisão. muitas coisas ocorreram e eu tomei algumas decisões de um dia para o outro que trazem consequências engraçadas para tudo o que planejei no começo do ano para as minhas coisas. é até enfadonho encostar nesse blog (e no meu listography) com a cabeça tão mudada assim, parece que costurei os pedaços que estavam rasgados, ou pendurados aos remendos mal-feitos. me encontrar com o passado foi como olhar para um bebê engatinhando e as ideias que eu tinha quanto os meus projetos tomaram rumos completamente opostos ao que eu pensava. não sei com precisão onde essa virada de chave aconteceu, não posso narrar certinho os dias e linhas que tomei para concluir tudo, mas sei mais ou menos. 

cada decisão foi, basicamente, feita de uma hora para outra influênciada por pensamentos anteriores que atropelavam os novos e assim por diante, no fim a minha mente parecia uma corrida maluca para ver quem ganhava o troféu, sendo esse a honra de ser o começo de algo. para ser sincera, nada do que estou falando agora faz sentido, o que estou querendo dizer é... foi uma explosão. deixaram uma bomba no meu colo com um papel pregado dizendo "decida-se agora" e eu tive que fazer isso, de qualquer forma isso iria explodir, mas preferi eu mesma ser a causa. 

até certo ponto, fazer cinco provas me fizeram um bem danado. elas foram as principais responsáveis para que eu enlouquece, em algum momento eu pensei que aquela seria a minha morte e eu precisaria voltar apenas para decretar a minha falência repentina. perdi cabelo o suficiente para chegar perto de ficar careca, também perdi peso e ganhei ao mesmo tempo (um belo efeito sânfona, eu não sabia se me privava ou me esbaldava), sem contar todas as coisas que descartei pelo vaso numa descarga significativa e sem volta, não há chance alguma desse vaso entupir e meu banheiro inundar, tudo se foi. então, com todos esses sentimentos presos na garganta eu não tinha noção alguma do que me aguardava e nada era previsivel, o que eu costumava pensar e decidir, eu fiz o exato contrário e não me arrependo.

sei que no título está escrito sobre ishtar como um foco principal, mas até eu chegar nesse assunto vai mais uns dois parágrafos até eu conseguir contextualizar, ainda mais porque a decisão de eu retormar essa deusa como um tópico importante requer uma explicação quanto as outras decisões, por isso me tornei redundante demais nesse começo meio confuso. tantas coisas me aconteceram em pouco tempo, não sei nem por onde começar. não tem começo, nem meio e nem fim, porque tudo ainda está acontecendo. enfim, o que me fez mudar a rota foi o tempo que passei em são josé do rio preto, eu entendi as coisas de formas que eu não costumava entender antes, muito pelo fato de eu estar sempre sufocada e de uma hora para outra eu pude respirar de verdade, foi aí que eu comecei a me entender e realmente curar algumas feridas que nunca terminavam de cicatrizar. tropecei ainda algumas vezes no começo até entender o ritmo novo, apesar da lentidão dos dias, minha cabeça estava trabalhando constante, colocar os pés naquela cidade ajudou inteiramente a minha reconstrução pessoal.

comecei a entender minhas necessidade, o que eu queria e procurava. os limites que precisavam ser estabelecidos eu soube delimitar perfeitamente e é interessante ver como as coisas estão reagindo, eu tinha muito medo de me mostrar na cena campo grandense, eu era apavorada de fazer as coisas e até mesmo sair de casa em campo grande me nascia um pânico sem razão alguma. eu não sentia o amor pela cena que eu senti quando tinha 17 anos há muito tempo, nem mesmo se parecia com um lar como era de costume... em contrapartida, estar de novo nos rolês rio pretenses foi como entrar em casa de novo depois de muito tempo, eu senti a mesma paixão, a mesma vontade de fazer parte de algo, agir de novo e entrar de cabeça num movimento. o carinho das pessoas pela cena atingiu em cheio meu coração, a serotonina que eu precisava receber estava toda concentrada ali. talvez tenha sido mais ou menos por aí que eu comecei a decidir que não importava o resultado da uems, a minha prioridade seria definitivamente a unesp. 

falando em unesp, que faculdade gostosa. andei um pouco pelo campus e era tudo que eu pedia por uma faculdade, mesmo sentindo saudade diariamente da ufms, eu troco uma pela outra sem medo algum (tanto que é o que estou fazendo no momento), não tenho muito o que falar sobre lá apesar de ter muitos gatos peludos e gordos para eu fazer amizade com todos usando o poder de um sachê bem apetitoso, eu acho. 

cortando esses assuntos não muito específicos. esse tempo em rio preto foi importante para as minhas decisões pelas pessoas com quem eu conversei e me relacionei, sem dúvidas esse foi um fator que deu o chute final. aprendi de cara o que são amizades, com quem posso conversar e colocar as coisas na balança foi divertido. eu entendi muito do que eu permetia demais e deixava com que passassem por cima de mim. agora, sem medo nenhum de falar sobre isso, porque é algo que mudou o meu coração, foi conhecer o lucas como pessoa para além das telas e mensagens curtas. eu costumava observar de longe o que ele agia na cena e me era bastante interessante, uma admiração sincera, mas trocar conversas verdadeiras, olho no olho, não posso dizer outra coisa se não um choque no meu sistema. tudo meu estava bastante adormecido e, apesar da felicidade em ter um novo lar de verdade, eu ainda precisava de um fósforo para acender toda aquela lenha que estava se empilhando dentro de mim, conversar com ele foi a faísca necessária. 

devo muito disso a ele, depois daquela noite que eu tomei coragem suficiente para criar o meu projeto com o mesmo nome desse blog, na intuição de estar de cabeça na cena e, dessa vez, sem medo, com as fotos no estilo que eu gostaria de ver rolando por aí. é aqui que entra outra decisão, por mais que eu ame um blog 100% pessoal, ainda gosto de colocar algumas coisas de fora por aqui, porque o maior motivo por eu ter fechado os meus dois blogs anteriores e aberto só esse, é justamente o fato de eu não suportar o fato de dividir as coisas, ter que ficar pulando de uma para outra e separar o que eu publico quando tudo faz parte de mim e se não fosse eu por trás das câmeras e perguntas que faço, das pesquisas intensas na madrugada, não existiriam metade dessas coisas, então acho que no final ainda vai ser um blog pessoal. afinal, tudo parte de mim, do meu âmago. dou o meu sangue por tudo que faço.

acho que é momento propenso para trazer ishtar na conversa. me arrependo de não ter seguido os conselhos e sopros da grande mãe. sei bem onde ela me puxou a orelha e agora entendo onde errei, quando falei que me entregaria para ela por completo, acabei hesitando em muitas coisas e não ouvindo o que deveria ser ouvido, mas encontrei o mar esse fim de ano. essa é a transição que eu faço de mulher cética para uma maluca dos cristais. a questão é que se eu não fosse amante da natureza e protetora de suas raízes, eu não seria eu, por muitas outras coincidências eu decidi cultuar uma deusa em específico, a ishtar (ou asherah). depois de me ver quase morta por culpa de um homem, quem eu pensei amar, foi quando eu entendi que precisava buscar uma luz e a história dela conectou com o meu ser de forma instantânea, mas eu não busquei a mão dela por tanto tempo que deixei de lado esse meu ponto espiritual, até mesmo os meus baralho estão esquecidos. 

até que eu pedi, novamente, que suas mãos caíssem em meus ombros e elas caíram, com o peso de um ano desacordada. minha última decisão veio aí, me conectar novamente ao espiritual, respirar de fora para dentro, de dentro para fora. cuidar de mim como a natureza pede, assim como eu costumava fazer antes de adormecer. talvez eu traga mais postagens sobre esses tipos de assunto, não prometo nada, não sei como serei daqui em diante, mas tenho ânsia de viver. quero ver os dias nascendo, as flores crescendo com todo o meu carinho e poder cultivar um amor que eu tanto pedi aos céus e agora, parece, tenho.

eu deveria escrever o título depois de escrever todo o texto, mas não vou mudar ele. nas outras publicações tentarei fazer isso, não garanto.  

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

o fervor que existe em mim

 tem dias que eu sinto uma raiva inconsequente, não entendo de onde vem tanto rancor no meu peito. é como se eu estivesse queimando constantemente, reinando em um tipo de incêndio descontrolado, todas as minhas respostas são atravessadas e nada do que faço está sendo por boa vontade. é tanto ódio dentro de mim que chega a me adoecer de alguma forma. tenho adoecido em decorrência desse humor desregulado e eu até imagino os possíveis motivos, mas é tudo muito nublado... eu gostaria de entender com perfeição meus sentimentos para puxar essas raízes podres de uma vez! tenho ficado até mesmo careca por conta disso, é talvez a sensação de injustiça, de pavor. parece que a qualquer instante irão me reconhecer por alguma maldade desconhecida e me atacar repentinamente, ou talvez seja apenas o cansaço se mostrando cada vez mais presente, as noites mal dormidas e a falta dos medicamentos (desde que me obrigaram a trocar de psicólogo eu encontrei problemas enormes com a minha própria mente, não consigo me conectar com ninguém verdadeiramente porque tiraram de mim a única pessoa com quem eu abri minha alma por completo sem pudor algum dos erros que cometi ao longo dos anos).

sei que eu tenho muito o que expor, muito o que desabar, mas tenho tanto receio... e isso está me matando, estou me encontrando diretamente com o caos mental e do choque corporal que tem me trazido um fogo desordenado. tamanha amargura sem previsão de cessar, eu sei que tenho reagido de forma repulsiva com as pessoas, principalmente com meus pais de uma forma que eu não gostaria e repudiaria nos dias comuns, mas não estou vivendo dias lineares... eu gostaria que essas chamas apagassem de dentro de mim, gostaria que tudo voltasse ao mar calmo de antes, sinto saudades de me encontrar com as estrelas e agora só consigo observar o céu coberto de uma fumaça escura e longas labaredas. a tranquilidade tem de retornar.

entre quadros e anéis

​ não consigo me desfazer de tantas coisas. as memórias são o que me perseguem e moldam quem eu sou, ainda que eu tenha de olhar para coisas...