quarta-feira, 1 de abril de 2026

as águas de março levaram coisas e trouxeram outras...

 agora eu posso encher a boca e dizer que estou há um mês vivendo outra vez. meu coração tem batido e é estranho lembrar que existem órgãos funcionando dentro de mim, estou tão acostumada com a morte ao meu redor e escrever como se eu não existisse há anos. desde que coloquei meus pés nesse lugar e comecei a construir um novo lar eu entendi que posso respirar sem medo, não vou morrer novamente.

falo isso com certeza, estou exatamente onde eu quero. busquei por isso minha vida inteira inconscientemente e algo em mim estava esperando só o momento certo para abrir os olhos com a fome de um lobo há anos hibernado. tenho algo na minha frente pronto para ser agarrado e é nesse momento que eu deveria funcionar no vapor máximo.

meu cabelo tem crescido e parado de cair aos poucos, meu corpo tem se sentido menos exausto e parece que posso fazer tudo que eu quiser, só basta levantar de onde estou. minha única luta agora tem sido o costume com o nada da morte, o costume da rotina em inércia completa como quem não tinha onde e nem quem para ir. 

março veio com chuvas fortes, longas e um pouco sufocantes, as águas inundaram meus sentimentos e terminaram de lavar feridas que eu ainda brigava, assisti do meu quarto a chuva levar embora coisas que eu não lembrava, mas precisei revisitar para me despedir e seguir com o que vinha pela frente, sinto como se tivessem segurado a minha mão para me guiar num extenso túnel. 

a felicidade entrou no meu peito, ficou. me sinto eu, por inteira.  

quinta-feira, 26 de março de 2026

pedaços do passado?

 ​(estou escrevendo no celular, não por falta de opção ou pressão... mas a situação que estou pede urgência) me encarei tempo demais no espelho para perceber que tem cinco anos desde a última vez que coloquei uma roupa assim no corpo. 

eu tinha 17 a primeira vez que me vesti com mangas enormes e saias com babados, procurando imitar uma vampira ainda com os modos da vitorianiedade. talvez eu fosse boba demais e não soubesse o que eu estava fazendo, me enfiei em um buraco sem saída sem questionar primeiro se aquilo era o que eu realmente queria.

na verdade, acho que eu me conhecia bem demais para saber que viver isso era exatamente o que eu mais precisava. cresci nessas idas e vindas, conheci pessoas por todos os cantos... construí algo que não trocaria por nada e nem ninguém, mas precisei quebrar esses limites e cultivar um novo jardim, com novas memórias. 

o passado me intoxicou por tempo demais, permiti que as coisas fossem sufocantes e sem perceber deixei que muito de mim partisse. chegar perto dos 21 anos e saber que nada é como foi me deixa feliz. talvez um pouco feliz até demais.

não ter mais 17 anos e saber exatamente quem sou e o que eu quero é algo. realmente algo.

quinta-feira, 5 de março de 2026

sinto que alguém morreu e acho que foi eu.

 constantemente... quando fecho os olhos, não demora aparecer aquela sensação sufocante. alguém morreu, o peito aperta e não tem nada que me impeça de sentir o nó na garganta crescendo. posso emendar essa explicação com muitas outras sobre a forma como me sinto, mas não acho que seja propício falar sobre algo que dói e tudo me dói. não sei. não explico. nada elucida.

não há nada que não rasgue minha pele. eu ando sangrando (e não como uma forma de explicar como tenho passado os dias, talvez como se eu dissesse que tem algo de errado acontecendo, sem saber a causa, não acho que tenha origem, na verdade, apenas existe).

o sentimento de angústia tem um nome e quem sabe um sobrenome.

um pouco engraçado que eu tenha escrito isso depois de tanto tempo sem aparecer, também não preciso nem dizer as razões pelo meu sumiço (mas tento explicar com um acaso que me salvou, entrei na unesp de alguma forma... estou nela, isso me deixa feliz, até certo ponto) e os porquês de eu estar sorrindo numa frequência diferente do meu normal. isso é, até que a porta se feche.

essa postagem é meio edgy lord, sem querer me auto-ofender com isso. não sei onde mais colocar esses pesos, parece que eu mesma tenho me afogado em lágrimas. apenas por sentir assim, achar que é o certo. meu cérebro não funciona normalmente tem alguns dias. na verdade, desde que cheguei as coisas parecem confusas demais. sinto um pouco de saudade da minha casa, que não é mais minha. agora aqui é onde eu moro? estou perdida.

enfim, quanto ao sentimento de morte. acho que ele é meu. acho que quem morreu... foi eu. quer dizer, eu de fato morri, há dois anos. depois de um tempo nasceram flores no meu túmulo e eu pensei, de verdade, ter renascido, a dura verdade é que eu continuo ali; no escuro e sem onde respirar. por isso penso que morri, outra vez. tive uma falsa sensação de vida? onde exatamente vaga minha alma?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

citando alguns nervosismos e medos

 não sei o que escrever no blog, há um tempo que penso sobre isso. não tem nada acontecendo, nenhum pensamento importante suficiente para que eu quisesse discorrer sobre, é aqui que o problema começa e isso me causa um medo indescritível. não ter sobre o que falar é assustador, então pense sobre não ter o que escrever, ainda mais isso sendo algo que molda a minha vida inteira como uma coisa só, se eu não estiver escrevendo algo, o que eu estou fazendo, então?

é aqui que entra um segundo problema, se não estou fazendo nada, um caos generalizado entra em vigor dentro da minha família. me levando a ter vontades ainda mais intensas de ir embora, agora é que aparece um outro medo, esse sendo ainda maior. o que acontece comigo se eu não passar? experimentei pela primeira vez na minha vida ter uma nota boa em algo importante, mas não foi o suficiente e parece que não está sendo. tudo bem que foram só duas chamas e a terceira está quase chegando, mas nada como ver nomes em cima de nomes e nenhum deles ser o seu. me deixa frustrada e assustada.

acho que nunca falei isso diretamente para ninguém, fico com vergonha. passei de outubro até o dia de hoje (essa postagem) chorando copiosamente antes de dormir por um estresse não-natural causado especificamente pelo vestibular e suas consequências. nada dói mais do que ver a esperança sumindo nas pessoas enquanto você mesmo não consegue ficar em paz consigo mesmo. sei que se em oito chamadas meu nome não estiver lá, vou tentar outra vez, mas e nesse meio tempo? para onde vou? onde fico? o que eu faço?

estou até os dedinhos do pé com uma ansiedade sufocante, quinta-feira descobrirei mais uma vez se fui bem o suficiente para entrar, ou se terei de esperar até que não tenha mais chance alguma... talvez seja por isso que meu cabelo tem caído tanto nos últimos dias, afinal, nada como uma enorme dose de sentimentos ruins para descabelar tudo o que tem dentro de mim! e além de todas essas coisas acima, existem as promessas que eu gostaria de cumprir com uma pessoa.

mesmo eu sabendo que se não der certo, nada vai mudar... eu ainda gostaria de ser capaz de estar presente. tem tanta coisa que eu prometi verbalmente e mentalmente, tem tanta coisa. talvez esse seja meu maior medo. 

colheres de mesa: tempo perdido

 aquele coelho cinza, de tecidos escuros e jóias no rosto, carregava consigo um tesouro que eu tanto escondi. em seus braços tinha o coração...