domingo, 26 de abril de 2026

tudo o que vi em abril...

 1. uma mulher tentando alimentar um gato frajola que era estranhamente gordo para ser um simples gato de rua abandonado.
2. o quintal de uma casal meio abandonada, cheio de gramas até metade do portão que tinha cartas e cartas amontadas na caixa de correio.
3. pequenas esculturas gregas de mesa em gesso branco num caminho de entrada no portão do terreno vazio ao lado da loja de carros (a mesma que tem um enorme fusca rosa gritante para vender)
4. o caminho vazio do bloco c tem um fim nas árvores cheias.
5. um carro levando um leão de cerâmica na parte de trás, acho que era para anunciar um dos circos que estão pela cidade nesse mês.
6. um inseto meio estranho, parecia uma barata pequena com manchas brancas pelo corpo marrom, fiquei meio assustada e sai correndo de onde eu estava.

nos caminhos que eu faço (de pé, ou de carro) tenho olhado para tantas coisas que algumas delas ficam apenas para o canto da minha visão... um pouco escondido, coisas que aparecem apenas nos meus sonhos para me lembrar do dia que passou. 


domingo, 19 de abril de 2026

revolte-se! liberte-se!

 a primeira vez que coloquei meus olhos na dischord foi há um ano atrás, poucas pessoas sabiam o que eu tinha recém passado e o que significava para mim estar ali. foram poucas as vezes que eu senti meu coração batendo de novo pela primeira vez, me senti com 16 anos outra vez entrando para algo que faz meu corpo vibrar em alegria. eu carregava um peso muito intenso, uma dor que ardia e tirava minhas vontades... confesso que nos primeiros momentos eu não percebia o que acendia dentro do meu peito, demorou um tempo para eu entender o que acontecia comigo em silêncio.

é difícil para mim ter algum carinho por bandas logo de cara, tenho exigências pessoais que nem eu entendo na maior parte do tempo. posso dizer com a boca cheia sobre o quanto aquele dia salvou minha alma do afogamento, é engraçado perceber um ano depois que ter ido naquele rolê sem pretensão alguma pensando que não seria tão bom quanto as outras vezes que me levaram para sair na cidade, mudou a minha vida por completo. 

ter conhecido quem eu conheci ali, saber que eu teria um lar... da noite em diante, comecei a formar meus pensamentos sobre o quanto eu queria ficar aqui e, depois de um ano, poder acompanhar de perto uma banda que foi um grande fator pela minha ressuscitação é um grande privilégio para mim em muitos aspectos. eu encaro esses momentos com muito mais carinho e amor do que as pessoas percebem, sinto que eu deveria falar sobre isso muito mais... é o que me salva todos os dias.

hoje posso tirar fotos da dischord e compartilhar elas paras as pessoas que gostam tanto do som quanto eu gosto, é uma das coisas que mais me deixa feliz; quase tudo tem me deixado feliz nos últimos dias e esse fato é um dos que mais influência no meu viver. sou grata. aquela noite, há um ano, eu me revoltei e me libertei de coisas que nem eu sabia que me prendiam.



sexta-feira, 10 de abril de 2026

as estrelas e a raiva...

 com as noites de sono mal dormidas, eu consigo sonhar mais frequentemente. não é uma coisa boa, eu gostaria de ter sonhos mais tranquilos e não acordar com o coração quase pulando para fora. alguns momentos até faz sentido eu ter imaginado aquilo, mas tem um tempo que nada tem pé e muito menos cabeça, o pior vem depois na hora de acordar e passar o resto do dia com a sensação de que aquilo foi uma verdade incontestável. é louco.

essa semana tive o desprazer de sonhar com alguém do passado, não sei quem exatamente... é complicado sonhar com pessoas, nunca consigo ver claramente o rosto e no pior dos casos as proporções corporais ficam bizarras ao ponto de virar um terror corporal estressante. enfim, o passado quis voltar como um tormento mental, tentando pregar pegadinhas e me fazer escolher a forma como eu reagiria isso e só me fez perceber que eu não saberia o que fazer, em momento nenhum. foi um pouco engraçado poder comparar as diferentes formas de reação, cheguei a sonhar como seria rever meu pai depois de tanto tempo longe de casa e em nenhuma dessas vezes eu consegui ter um padrão. 

pode ser que meus sonhos estejam me dizendo como eu não posso controlar as coisas e nem sempre tudo que eu imagino pode realmente acontecer, por mais que eu tente. eu até acho interessante, se não fosse pelo sufoco que eu passo com esses momentos, eu guardo essas coisas na memória inconsciente e elas reaparecem durante o dia o dia me assustando...

além dessas coisas, experimentei sonhar com o meu pequeno mundinho outra vez, encarando o meu conforto novamente e dando um abraço naquilo que mais me fazia sentir saudades. tinha tempo que eu não sonhava no céu estrelado, eu pude me colocar na beira do precipício outra vez e encarar o vazio do além depois de ter me despedido desse pedacinho de terra quando assisti, ainda em sonho, a morte. 

recuperar o que eu havia perdido naquele mesmo lugar é recompensador. eu vi o navio voltando, trazendo com ele um rastro de estrelas cadentes e eu pude me lembrar o que me fez escolher o nome desse blog (e projeto), a razão por eu ser apaixonada no que eu faço... eu precisava sonhar outra vez com o meu lugar de tranquilidade. era muito mais do que eu procurava para revigorar um pouco além.

os sonhos dessa semana estavam balanceados entre coisas ruins e boas, eu não consigo dizer qual dali pesava mais na minha cabeça... senti saudades de sonhar com a minha pequena ilha, daquela cortina balançando com o vento debaixo do sol no fim da tarde.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

lucinda querida!

 desde que os vizinhos do lado se mudaram, a população de gatos nessa rua aumentou gradativamente e, acho, que tem dois anos e um pouco desde que a gata frajola lucinda tem frequentado a casa dos meus avós. virou um costume estranho ter ela por aqui todos os dias na hora do almoço e janta, constantemente pedindo um pouco da nossa carne.

isso até o momento que meu vô começou a comprar ração para ela, agora no lugar de pedir por carne ela procura a ração. uma gata bem exigente e engraçada, esperta. a lucinda só come whyskas de carne, se for outra marca e sabor, pode ter certeza que ela vai fingir que nem está vendo.

por mais que o dono dela seja o vizinho, parece que nem saudade de casa sente. todos os dias está por aqui e toda noite quer entrar no meu quarto para passear pela casa, ou ficar na janela olhando o quintal por uns bons e longos minutos. comecei a gostar da companhia, agora não consigo ficar um dia inteiro sem sentir saudade da bixinha. 

tenho pensado na possibilidade de pegar para mim, desde que o verdadeiro pai não se importa com os sumiços e nem alimentar direito tem feito! comprei sachê esses dias, acho que em breve vou buscar uma caminha, alguns brinquedos... não sei se ela vai ficar aqui, mas quero aconchegar a lucinda querida.

ontem tirei fotos dela. estava sentada na janela, olhando o nada.





colheres de mesa: tempo perdido

 aquele coelho cinza, de tecidos escuros e jóias no rosto, carregava consigo um tesouro que eu tanto escondi. em seus braços tinha o coração...