segunda-feira, 10 de agosto de 2026

eu minha mãe experimentamos (parte um):

​é quase um evento anual. não precisa nem esperar, sempre que ela se encontra comigo seja onde for vai acontecer um tour gastronômico de dar gosto (algumas vezes acaba saindo ruim e caro, que eu me lembre).

vou tentar escrever publicações referente essas aventuras com ela, mas tenho pensado e planejado fazer as minhas próprias também. quando estamos juntas é mais fácil de ir nos lugares e bem mais prazeroso, vamos conversando no caminho e deliciamos também conversando... sozinha é um pouco chato, mas ainda tenho o mundo para desbravar; meu plano era pedir alguma comida, ou tentar ir no restaurante, para experimentar algo que eu queira, ou novidade. 

da mesma forma que estou escrevendo esse momento, também quero escrever sobre os meus descobrimentos. um pequeno momento que não tem ligação com o que vem a seguir: adoraria ter mais presença nas postagens, gosto tanto de escrever e falar sobre as coisas, mas acabo esquecendo de publicar algo e/ou deixo para depois, nunca falando nada no final, então estou tomando isso como um empurrão para os novos movimentos.

no final de julho, passei um tempo com meus pais em campo grande, fomos em muitos restaurantes e feiras, também experimentamos todos os tipos de cafeterias diferentes o quanto pudemos, acho que ganhei uns bons quilos com isso. de volta para casa, eu minha mãe ainda assim encaramos algumas experiências (não tirei foto de duas delas, então não vou poder incluir aqui). 

foram muitas comidas!


a primeira delas foi a incrível torta de maçã com sorvete! é aquela clássica que vemos em filme, comi essa mesma torta outra vez no começo do ano, mas daquela vez eu tinha escolhido chantilly como acompanhamento e de bebida um chá mate com limão, enquanto esse copo que está na foto tem expresso tônica com xarope de frutas vermelhas!


também pedimos três tortinhas de nata, pastel de belém. não é gostoso, mas achei interessante como elas foram feitas e aquele pequeno "saleiro" de canela. gosto muito desse docinho e sempre espero um recheio intenso, mas nesse não teve nem metade do que era esperado.

um pouco depois fomos jantar em um restaurante coreano experimentar um pouco dessa novidade, eu já comi os mesmos pratos em alguns lugares diferentes, mas a experiencia de comer em um lugar especifico mudou totalmente a forma que eu vi. pedimos três diferentes, um para cada.


esse é um japchae, um tipo de macarrão feito de batata doce acompanhado de verduras e carne, todos os outros pratos vinham com essas mesmas três guarnições, batata cortadinha, kimchi e omelete batido.


escolhemos um tteokbokki. eu lembrava de ter pedido um há alguns anos, mas era tão apimentado que não tinha vontade alguma de terminar, mas dessa vez fomos um pouco mais espertos em escolher um que viesse menos e, definitivamente, menos apimentado com um sabor mais interessante. gostei de ter experimentado.


meu pai escolheu o que ele tinha mais proximidade, foi muito gostoso poder provar um pouco do que ele pediu. todos os pratos tão gostosos e saborosos. senti um pouco de saudade de sal na comida, mas ainda assim era tão gostoso quanto parece. não lembro o nome dele, mas era um lombo empanado com molho de ketchup, arroz grudentinho e salada.


usamos esse achocolatado que minha mãe trouxe do uruguay para fazer uma calda de chocolate meio amarga para o nosso bolo cremoso, meio brownie. era o plano fazer um brownie de começo, mas não tinha as misturas exatas, então fizemos algo meio improvisado e saiu exatamente isso aqui:


uma delícia, devo dizer. gostaria de ter comido vários desse. próxima vez que eu for em campo grande vou fazer a mesma receita, para comer um monte desse. acho que ficou ainda mais gostoso por ter sido feito com a companhia dos meus amigos, queria poder reviver esse dia outra vez.




adoro ir em cafeterias superfaturadas, na maioria das vezes eu me impressiono com o que elas podem oferecer. dessa vez não foi diferente, eu me apaixonei profundamente por cada comida servida para nós, eu poderia voltar lá tantas vezes e ainda assim não teria provado tudo o que tem por ali, escolhemos coisas que mais no chamaram atenção no dia. um matcha com suco de laranja e geleia de morango? total maluquice, eles chamaram de jamaica matcha por fazer uma bandeira jamaicana, eles foram muito inteligentes em usar liquidos de diferentes densidades... torrada com pesto e tomate, uma "freanch toast" com creme brulee e sorvete! também tive a oportunidade de provar meu primeiro cinnamon roll.


no shopping que fomos assistir a odisseia tem um pequeno quiosque com alimentos árabes, vi esses doces diferentes e até meio engraçados. não resisti a tentação, confesso que eles não eram dos melhores, mas definitivamente uma experiência para se ter. o vermelho é feito de romã e mais algumas coisas, o outro eu não me lembro.

minha família tem o habito de almoçar fora todo domingo, gosto muito de acompanhar eles para experimentar o que for possível e dessa vez foi um filé ao molho gorgonzola acompanhado de macarrão alho e óleo, sempre tão bom quando tem uma massa do lado de um molho tão denso quanto um feito de queijo. eu repetiria.



(acho que cheguei no limite de fotos, sem querer, então farei outra postagem depois) eu sempre quis conhecer onde ficava a livraria hámor, eu sabia que era uma cafeteria em conjunto e tão caseira quanto, minha mãe foi sem mim na primeira vez para saber se era interessante, ela descobriu que eles serviam um matcha com baunilha e eu que não consigo deixar de experimentar todos os verdinhos do mundo me animei de imediato. gostaria de ir lá outra vez.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

entre quadros e anéis

​ não consigo me desfazer de tantas coisas. as memórias são o que me perseguem e moldam quem eu sou, ainda que eu tenha de olhar para coisas que machuquem. 

guardo comigo tudo e mais um pouco, é difícil de dizer adeus. tenho o hábito de criar carinho por tudo aquilo que eu ganho de quem um dia eu amei e, talvez, por isso seja impossível querer que aquilo vá embora.

acordo todos os dias olhando para um quadro que eu pensei que odiaria. a memória é amarga e desce queimando a garganta sempre que retorna, depois de um tempo aquilo se tornou parte de quem eu sou e não me vejo sem. é doloroso, mas continua pendurado na parede como uma parte do meu passado e de quem fui.

além de tantas outras coisas. a minha caixa de joias carrega os itens mais valiosos dentro dela, tantas coisas que eu escolhi e ganhei. não penso em deixar para trás nem o menor brinco. no meio de tantas coisas eu tenho uma pequena aliança de folhas verdes que serviu para representar uma promessa, que eu mesma precisei quebrar para poder seguir em frente, é algo que eu deveria ter jogado fora e atirado ao mar quando tive oportunidade, ainda assim continua em meu porta anel, ocupando seu espaço.

algumas camisas que eu pensei em me desfazer acabaram ficando e sendo transformadas em outros modelos. pensei em jogar fora, dar para alguém, ou usar de pano de chão, mas elas são únicas e o único motivo para eu ainda continuar usando é pelas bandas que tanto ficam felizes em ver suas logos nos shows.

ainda penso se deveria me desfazer dessas memórias, mas elas são o que me fizeram ser eu.

o silêncio me consome e tenho medo dele

 tenho criado discussões sozinha. é delirante estar em silêncio depois de tanto tempo acostumada com o silêncio, ainda não sei nem como colocar em palavras o que tenho sentido por conta disso. é loucura completa. tenho escrito meus pensamentos em um bloco de notas há um mês e ele tem crescido cada vez mais porque eu penso e penso quase o tempo todo desde que substitui o barulho constante pelo som do mundo afora, ainda não sei como agir diante dessa mudança.

ficar em silêncio é o que mais tem me causado sofrimento, precisar encarar a mim mesma e tudo o que se passa pela minha cabeça corrói um pouco a minha alma, mas entendo que é mais do que necessário passar por esse transtorno. é um processo doloroso, olhei diretamente para tantas inseguranças e medos que eu não me lembrava de existir.

estou sendo consumida por ele e tenho medo, medo de enfrentar as coisas que estavam escondidas de mim, abafadas por tantos barulhos e vozes diferentes. não tenho mais conseguido ouvir músicas com fones de ouvido, nem de passar meia hora com a televisão ligada passando alguma bobagem qualquer (faz tanto tempo que deixei de assistir master chef porque parecia tão entediante ver as mesmas coisas acontecendo de novo e de novo e de novo).

talvez por encarar esse vazio, o tédio e o nada que é estar em silêncio foi o que me fez ter tantos pensamentos referentes ao mundo digital e minha presença nele. tenho lido tantos artigos e livros sobre o assunto que, acho, acabou piorando a minha espiral dentro da convivência com meus próprios pensamentos. 

até onde posso ir? até onde posso deixar o silêncio me consumir?

quarta-feira, 1 de julho de 2026

agatha renard

 uma das minhas primeiras leituras intensas foi, por acaso, uma indicação da marisa durante a aula. ela explicava sobre como um quadro exposto em museu havia mudado sua vida inteira e a forma como ela enxergava as coisas, foi como encarar um dos livros que a acompanhavam no dia a dia. uma composição única e interessante, diferente de tantas outras pinturas que estavam ali, o ambiente era arrumado de propósito para que tudo fizesse sentido e intensificasse a vivência. 

o quadro não era uma grande loucura, mas era um escândalo para quem olhasse. coberto por uma cortina vermelha, escondido no fundo de o corredor, ele escondia um segredo e uma privacidade tão íntima que era estranho se esgueirar só para ter um pequeno vislumbre. o corpo humano em seu estado mais cru, de uma forma tão natural.


a origem do mundo de gustave courbet é fantástica. o corpo feminino como um todo, com cores, dobras e pelos. o nome resignado é tão intenso quanto o que vemos, não sei dizer se ele ainda está escondido através de alguma cortina, mas o choque em vê-lo continua tão grande quanto se fosse visto sorrateiramente. é lindo e único.

o que eu quero dizer com tudo isso é que... eu não me lembrava desse quadro, muito menos de como ele estava exposto até eu me colocar em uma situação que desse um enorme estouro na minha mente. eu não entendia o porquê de colocarem o quadro como se fosse um tesouro, um choque tão humano.

isso é, até eu me esgueirar feito rato entre as pessoas para assistir a apresentação da agatha renard.

o lucas decidiu ir para esse pequeno rolê junino de um coletivo queer. fazia tanto tempo que eu falava para ele sobre querer ir em um desses, queria me sentir em casa de novo. dito e feito. eu só não esperava me deparar com uma das coisas mais linda do mundo inteiro diante dos meus olhos, de uma forma tão artística com uma experiência indescritível.

a agatha entrou carregada, com uma longa cauda de seria e cordas. era difícil dizer o que estava por vir, mas era intrigante. impossível de desviar os olhos. a arte drag sempre tem o peso de um lipsync carregado nas emoções, tanto mostrado pelo rosto quanto a forma como seu corpo se move e ela era, sem querer encher a boca para falar, intensa até nos minímos detalhes.

me senti como um enorme pervertido procurando espaços maiores entre as pessoas para olhar com ainda mais atenção quando vi seu corpo inteiro e nu. depois de muito tempo eu entendi o que coubert tentou fazer com seu quadro, eu estava diante de uma réplica moderna.


colheres de mesa: tempo perdido

 aquele coelho cinza, de tecidos escuros e jóias no rosto, carregava consigo um tesouro que eu tanto escondi. em seus braços tinha o coração...