domingo, 6 de setembro de 2026

002: sem titulo

(estou experimentando essa nova formatação de texto para ver como se comportaria no blog, assim como fazer postagens em formato-diário também tem sido outro tipo de teste para ver como andariam as coisas por aqui, a verdade é que eu nunca sei o que estou fazendo de verdade até que tudo esteja pronto, sinto que estou apenas seguindo sentimentos confusos, ideias estranhas e vontades que crescem de dentro do meu âmago até brotarem por todo os buracos.)


a verdade é que estou infeliz. o ato de viver não muda esse fato e não existe, de fato, nada que mude a depressão dentro de mim, então estou encarando a mim mesmo no vazio constantemente, sem nem saber o que estou fazendo. acho que estou andando por aí de modo automático, pensando em maneiras diferentes de me fazer ver cores no mundo outra vez, mas eu não consigo. meus olhos só enxergam o vazio, o escuro e o nada. é tão estranho que nada consiga me alegrar quando eu estive tão animado com o futuro, pensando e planejando criar meu universo inteiro outra vez, mas para ser sincero, eu estou assustado. não consigo mover meu corpo, não tenho coragem de encarar o céu. parece que estou preso, que meus pés estão amarrados no chão e meus braços sem força alguma para conseguir se mover. toda aquela paixão, toda aquela faísca, desapareceu diante dos meus olhos sem que eu pudesse fazer qualquer coisa para impedir esse desastre. estou apagado, fui apagado por mim mesmo e não há nada que concerte meus erros, eu não deveria ter apagado uma história inteira, memórias e vidas vividas. tem dias que a necessidade de se esconder consome minha alma desesperadamente, arrancando pedacinho por pedacinho de mim, sem deixar sobrar nada e eu, como um covarde, deixo que me devore. aquela noite, aquela maldita noite, que eu achei ter sido amado, não era real e nenhum desses dias que seguiram foram verdadeiros, eu sei da mais pura verdade, estou olhando para ela agora! o silêncio é apenas um meio de ocultar o que está acontecendo entre os mundos, as estrelas não se colidem mais há alguns anos e agora estou vendo a pele se tornando cada vez mais fina, as medidas diminuindo e meu próprio rosto congelando. não envelheço, mas fico cada dia mais perto da morte. gostaria de amarrar explosivos em meu corpo, assistir cada carne e gota de sangue sendo atirados para todos os lados, a parede branca manchada em um vermelho carmesim vivo. o que seria de mim? o que sou agora? essas perguntas não tem resposta, só escrevo vômitos incessantes para inundar os buracos que eu mesmo abri nesse quarto, o sol não se põe, uma luz insistente que invade meu quarto cegando meus olhos doloridos com os sonhos desesperados de noites nunca dormidas tão ocupadas com os desejos escondidos de quem não pode nem suspirar na janela com a paixão destruída. quanto mais escrevo, menos entendo de onde cresce essa angústia. parece que estou me descascando por inteiro até sobrar apenas a melancolia, queria escrever vivências loucas que estou tendo por aqui, mas não tenho nada acontecendo e é tudo tão estranho, eu pensei que sairia mais de casa, exploraria os cantos dessa cidade, andaria pelos trilhos tão usados... não faço nada disso, fico o dia inteiro criando teias por rolar na cama como se estivesse fazendo um casulo para nascer de mim uma linda borboleta, quer dizer, acho que não vai nascer uma, tenho quase certeza que de mim só terei desgraças. hoje faz um ano que comecei a ter um blog e pensar em criar coisas envolvendo a cena alternativa, mas não me sinto animado com isso, sem compaixão com a minha própria identidade, aquela pessoa que tanto meu animou agora é a que me tira o gosto de fazer as coisas, não tenho coragem de dizer o que sinto olhando nos olhos que me sinto desesperançoso quanto o futuro, muito menos contente com o presente, parece que estou preso num espiral de tédio e o fim é inexistente, gostaria de encontrar a faísca de novo e saber que dentro disso existe alguma coisa ainda que não a rotina de sempre. estou cansado de repetir as mesmas coisas, de não ter algo acontecendo como antes, parece que estou parado. não gosto de estar parado. quero movimentar, fazer coisas! preciso cuidar de mim, preciso buscar dentro de mim mesmo o fogo ardente que eu achava estar em outras pessoas, não posso contar sempre com o outro para me colocar para cima, tenho de segurar as minhas próprias mão e fazer eu mesmo acontecer. estou sempre esperando algo, buscando alguém, querendo opiniões de terceiros, quando tudo o que eu mais precisava está dentro de mim. meus olhos estavam fechados, colados com o meu sangue, me resta limpá-los para que eu possa enxergar outra vez. um caminho se forma em minha frente, tenho que seguir adiante. o que está me segurando? quem está me segurando?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

colheres de mesa: tempo perdido

 aquele coelho cinza, de tecidos escuros e jóias no rosto, carregava consigo um tesouro que eu tanto escondi. em seus braços tinha o coração...